Voto estratégico marca intenções eleitorais para 2026
Uma parcela significativa do eleitorado brasileiro planeja votar nas eleições presidenciais de 2026 não necessariamente por identificação com seu candidato, mas para impedir que um adversário chegue ao poder. É o que aponta pesquisa do Datafolha divulgada na última sexta-feira (21), que ouviu 2.058 pessoas em 128 municípios do país entre os dias 18 e 19 do mesmo mês.
Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados afirmaram que seu principal motivador ao escolher um candidato à presidência é evitar que outro postulante seja eleito. Em contrapartida, a maioria — 61% — declarou que votará em seu candidato por acreditar que ele apresenta as melhores propostas e está mais preparado para o cargo. Outros 7% deram respostas variadas, enquanto 2% não souberam responder.
A pesquisa, encomendada pela TV Globo e pela Folha, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, para a população com 16 anos ou mais.
Diferenças entre os eleitores de cada candidato
O comportamento do chamado "voto útil" ou voto estratégico varia conforme o candidato preferido pelo eleitor. Entre os que declararam intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual líder nas pesquisas de intenção de voto, 23% afirmaram que seu objetivo central é derrotar outro candidato — índice abaixo da média geral. A maioria, 68%, disse votar em Lula por considerar suas propostas as mais adequadas.
Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a proporção dos que votam para impedir um rival sobe para 35%, acima da média nacional. Ainda assim, 56% desse grupo afirmou optar pelo candidato do PL por considerá-lo o mais preparado.
Outros candidatos também registram alto índice de voto estratégico
- Romeu Zema (Novo): 37% dos seus eleitores disseram votar nele para barrar outro candidato — o maior percentual entre os nomes pesquisados, embora com margem de erro de 13 pontos percentuais para essa base.
- Ronaldo Caiado (PSD): 31% dos apoiadores votariam no governador goiano com o objetivo de impedir outro candidato, com margem de erro de nove pontos percentuais.
- Renan Santos (Missão): 24% dos seus eleitores indicaram motivação semelhante, com margem de erro de 12 pontos percentuais.
Polarização como pano de fundo
Os dados do Datafolha sugerem que o elevado índice de voto estratégico reflete, em grande medida, a polarização política entre o campo progressista, encabeçado por Lula, e os candidatos de direita que se posicionam como alternativas ao petista.
No campo da direita, Flávio Bolsonaro é apresentado pelo PL como a principal opção para eleitores que desejam um governo diferente do atual. Ao mesmo tempo, outros nomes do mesmo espectro político, como Caiado, buscam demonstrar viabilidade eleitoral. O governador de Goiás, por exemplo, tem reforçado seu histórico de oposição à esquerda, citando sua atuação desde a fundação, em 1985, da União Democrática Ruralista (UDR).
Do outro lado, Lula — sem concorrentes expressivos à esquerda — é visto por parte do eleitorado como o candidato capaz de evitar um retorno dos Bolsonaro ao Palácio do Planalto. O ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se em prisão domiciliar após tentativa de golpe de Estado e segue inelegível.
Decisão do voto: maioria já sabe em quem vai votar
O Datafolha também investigou o nível de convicção dos eleitores em relação à sua escolha. A grande maioria — 72% — afirmou estar totalmente decidida sobre em quem vai votar para presidente. Apenas 27% disseram que ainda podem mudar de posição, enquanto 1% não soube responder.
O grau de certeza é ainda maior entre os eleitores de Lula, dos quais 82% disseram estar totalmente decididos. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, esse índice é de 78%.